Carebar. O último verbo que aprendi.
Careba é tartaruga em tupi; carebar é procurar tartaruga.

Estive em Regência e Povoação nas duas últimas semanas que antecedem um ano da chegada da Lama. Uma experiência incrível, e até difícil de ser descrita.
Tive a oportunidade abrir a temporada 2016 de desova de tartaruga marinha e acompanhar o monitoramento através do Projeto Tamar e da Ecotur. Caminhar no peito da noite, em uma praia tão imponente, de mar aberto, tão barulhento que dita o ritmo do silêncio, é assustador quando pensa e encantador quando para. A natureza engoli, abraça, cobre: um mosquito que te rodeia é maior do que você. Ficamos horas, trocando os passos entre areias fofas e galhos que o rio trouxe até a praia…carebando. O tempo todo ali, no escuro, num silêncio dominado pelo vento e pelas ondas, só para ver tartaruga. Vimos uma. Foi lindo.

Digo que Regência e Povoação estão assim: carebando felicidade. As comunidades se encontram divididas. Após a Lama surgiram muitos interesses, vindo de todas as partes. De um lado Lama, de outro esperança; e é importante falar que há esperança e que há luta.

Não posso me furtar em contar o que percebi sobre o que mais incomoda as pessoas lá: mídia negativa. Qual o interesse em falar que Regência está destruída? Que está de baixo da Lama? Isso incomoda a economia local, o turismo local, a estima local. E não é verdade.

A Lama destruiu a pesca, as atividades de lazer, enfraqueceu a cultura, a identidade das pessoas. Isso pra falar da Foz do Rio, sem contar em outros estragos em Minas Gerais.Apesar de ter suas principais atividades ligadas a rio e mar, Regência e Povoação, buscam hoje mostrar que não são só isso, adaptando seus roteiros turísticos a trilhas e outros segredos.

A carebada para um futuro, ainda é sem lanterna, no escuro do peito de noite. Há esperança é encontrar uma tartaruga. Mesmo que o dia esteja quase amanhecendo.

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