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Sinopse: https://filmow.com/a-luz-entre-oceanos-t85434/

Nota para quem ainda não viu o filme: Não veja o trailer!

Acontece que as distribuidoras hoje em dia produzem trailers, na expectativa incansável por mais público, que mais comprometem a obra do que colaboram. No filme de hoje, perdi todas as expectativas de quase metade do tempo de projeção, pois já sabia demais devido ao trailer.

Enfim, vamos ao que interessa. A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans, 2016) é um filme eminentemente sensível, pensado milimetricamente para fazer uma parcela do público chorar. Mas boa parte desta construção sentimental que a obra se propõe, tentando colocar todos os pontos de vista no mesmo patamar, para assim mostrar as angústias de todas as pessoas envolvidas no problema central me foram desperdiçadas pelo problema supracitado.

Para além dessa perda de imersão, a segunda metade da película fora pura novidade para mim. Devo confessar que a proposta de pôr as perspectivas das personagens em pé de igualdade é bastante interessante, pois, principalmente, não gera a necessidade de vilões para a história, nem mesmo antagonistas. Aqui há uma transposição dos conflitos interpessoais convencionais para conflitos intrapessoais. Cada um passa por um conflito interno, um conflito moral.

Porém, essa perspectiva posta em tela me trouxe um incômodo. Ao passo que não existe necessidade de antagonismo, supostamente se chegaria à conclusão que todas têm uma parcela de culpa, ou até mesmo que a contradição entre bem e mal é superada. Mas creio que a tentativa sai pela culatra, pois a direção acaba inocentando todas as pessoas envolvidas na trama central. A moral de cada uma destas é muito pura, todas as causas aparecem propositalmente como nobres, o que beira a improbabilidade. E isso se deve ao fato já aludido que o filme tenta conduzir o espectador à afinidade sentimental.

Sim, lágrimas caíram durante a sessão. O filme alcança sua finalidade anteposta com certo sucesso. Mas na tentativa de superar os clichês de bem e mal, o filme se torna limpo demais. Não é a toa que a fotografia morna, a roupas limpíssimas – nenhum suor cai nelas ou poeira as suja, mesmo numa ilha predominantemente arenosa – e maquiagem clara predominam na tela. Até mesmo os momentos mais aterradores são, de certa forma, estilizados para não mancharem a dignidade das personagens.

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